História

GITT
40 ANOS DE HISTÓRIA

Ia o ano de 1972 quando um punhado de pessoas, sentadas à volta de uma grande mesa no “Recreios Desportivos da Trafaria”, decidiram formar um grupo de teatro. Que teatro e para quem? Foi a primeira questão que se levantou e que teve resposta imediata: “Actual e Actuante”, sobretudo dirigido à classe economicamente menos favorecida, que, ao longo de anos e anos, não tivera oportunidade de ver teatro dos grandes dramaturgos nacionais ou estrangeiros. Um teatro que não fosse panfletário, perante uma realidade portuguesa em que o Estado proclamava a cultura como o inimigo do povo, mas antes um teatro de compromisso com o povo na denúncia do Portugal de então.

E, nesse mesmo ano, foi montado um espectáculo de avaliação das nossas capacidades: uma trilogia de peças em 1 acto de Anton Tchekhov . “Cénico Trafariense” foi o primeiro nome dado ao grupo. E, no ano seguinte, já com o nome definitivo ” GITT- Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria”, estreávamos “Os Pequenos Burgueses”, de Máximo Gorki.

Saudado, por muitos e bons do nosso teatro, críticos, actores e encenadores, o espectáculo é cancelado pela D.G.E. e só mais tarde autorizado a prosseguir nas datas agendadas. O 1º Encontro de Teatro Amador da Trafaria e as palestras de teatro sobre “O actor”, “A Dramaturgia”, “A encenação” e “A história do Teatro”, por Mário Viegas, Sinde Filipe, Alexandre Babo, Fernanda Lapa e Luso Soares, trouxeram-nos uma formação importante para a consolidação do grupo face aos novos caminhos que Abril viria a abrir. 

Abril de 74, de facto, abriu-nos as portas por onde entraram Gorky, Tchekhov, Strindberg, Molière, Brecht, Santareno, Shaffer, Nelson Rodrigues, Mediero, Marivaux, Lizarraga, Alberto Pimenta, Pinter, Karl Valentin, Camões, Cossa, Gil Vicente e outros, que se fizeram acompanhar dos encenadores Fernanda Lapa, Rogério de Carvalho, José Caldas, Alberto Pimenta e os cenógrafos José Manuel Castanheira e Dalton Assef Salém. Em paralelo, criámos 5 Ciclos de Cultura com música (Zeca Afonso, José Mário Branco,  Carlos Paredes), teatro (Comuna, Marionetas de S. Lourenço,Teatro Animação de Setúbal), o O.T.C., Grupo de Campolide, bailado (“Dança Grupo” e “Mimo dança”), cinema (Woody Allen, Visconti, Manuel de Oliveira, Luis Buñuel) músicos, actores e grupos de teatro que fizeram a Festa estar bonita (citando Chico Buarque)

Nos finais dos anos 80 as portas começaram a ficar entreabertas. Na verdade, já não encontrámos a disponibilidade a que nos haviam habituado Grupos, músicos e cantores. Os jornais já não publicavam notícias do teatro feito por amadores. Não podemos deixar de recordar a longa entrevista de Isabel da Nóbrega a intérpretes de “Três Irmãs” de Tchekhov, no Rádio Clube Português no seu programa “Tempo Jovem”, após a estreia do nosso espectáculo, em 1978 no Teatro da Cornucópia .em Lisboa.  Em tempos adversos, começámos a fazer as nossas encenações, os nossos cenários, os nossos programas e cartazes.

A Mostra de Teatro de Almada homenageia-nos neste dia pelos nossos 40 anos de existência. Foi a “Mostra” que nos proporcionou uma regularidade de produção. Graças a ela, outros grupos nasceram. Já somos muitos no nosso Concelho. Hoje, em tempos de “crise da democracia e do país”, anima-nos a esperança de que a cultura em Portugal não regressará ao obscurantismo do passado.  À Liga dos Amigos da Trafaria (o nosso primeiro apoio), Câmara Municipal de Almada, Junta de Freguesia da Trafaria, Secretaria do Estado da Cultura, Fundação C. Gulbenkian e Companhia de Teatro de Almada agradecemos sinceramente terem cumprido com o seu dever.

A todos aqueles que ao longo destes anos colaboraram com o GITT, como havemos de lhes agradecer? Foram “só” 120 pessoas!

Mas a grande âncora do GITT é o “Recreios Desportivos da Trafaria” que nos acolhe há 40 anos, sempre com as suas portas abertas, permitindo-nos dizer que é a nossa casa, a casa onde comungamos as nossas actividades como se fossemos uma só entidade. Obrigado R.D.T

 

Vitor Azevedo

09-11-2012


Instantâneos











PEÇAS EM 1 ACTO

O Urso – Um pedido de casamento – O Aniversário do Banco Encenação de Marcelo de Brito                                                            

Intérpretes: Maria Beatriz de Sousa, Maria Emília, Fernanda Jacob, Aurelindo Lúcio, Rui Pinto, Vítor Azevedo, Rui Jacob, Filipe Domingues e Marcelo de Brito

Operador de luz – Vítor Esperança e José Abelha, Operador de som – João Gomes e Fernanda Pinto Montagem – José Abelha , Contra-regra – Francisco Felgueiras. Adereços – Móveis Coelho

… Dissemos uma vez nestas colunas que o Casino devido a uma série de factores que jogam a seu favor poderia ser uma das mais válidas e actuantes. colectividades de Cultura e Recreio do concelho almadense. claro que para assim ser, pesa e muito a vontade de todos aqueles que se encontram à frente dos seus destinos. Pois bem, graças ao bom senso e dinamismo da actual Direcção dos Recreios Desportívos da Trafaria (Casino), às suas vistas largas e à vontade firme e voluntariosa de um grupo de jovens – velhos são os trapos – foi criado o Cénico Trafariense. E assim, após os dias de labuta ou de estudo – qualquer dos componentes deste agrupamento teatral, tem o dia ocupado com as suas actividades profissionais ou escolares – seguiam-se os ensaios, até altas horas da noite, para levar à cena «O Urso»; «O Aniversário do Banco» e «Um pedido de casamento»; três peças em um acto do genial autor,’ Antón Tcheckov.

…Não vamos dizer que este ou aquele interprete foi genial, melhor ou pior que outro. Todos estão à altura do seu papel. O público que tem acorrido à popular colectividade para ver um dos mais representados autores pelos grupos de teatro amador, tem-se sentido grandemente interessado pelo espectáculo que sobre todos os aspectos se pode considerar satísfatório…Está de parabéns o Casino! E está de parabéns a Trafaria! Almada, este populoso  concelho, tão próximo e tão longe de Lisboa, apenas possui actualmente e e m a c t u a ç ã o e s t e n ó v e l agrupamente cénico. É de lamentar que assim aconteça mas é a v e r d a d e . …Os nossos parabéns ao Cénico Trafariense não só pelo bom trabalho realizado, como também pela possibilidade que os seus componentes dão. à assistência de, após cada sessão, dialogarem sobre Teatro.

Após 4 representações na Trafaria e outra na SFUAP-Cova da Piedade, com um total de 530 espectadores,
por vontade unânime de todo o grupo, o Cénico Trafariense passou a denominar-se “GITT-Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria”

 

 

 

 

 

 

De Maximo Gorki

Tradução de Gina de Freitas, revista por Luís Francisco Rebelo                                                                                   

Encenação e direcção de actores de Fernanda Lapa                                                                                                                                                                                                                  Cenografia de José Manuel Castanheira                 

Intérpretes: Maria Emílla, Maria Beatriz Sousa, Vitor Azevedo, Aurelindo Lúcio, Tani Pina Maria Fernandes, Filipe Domingues, Rui Pinto, Marcelo de Brito, Fernanda Jacob, Isabel Marques, Rui Jacob e Marçal Pinto.                                                        

Um poema de José Gomes Ferreira dito por Mário Viegas.

Montagem: José Abelha, José Pina (luz), Soares D’ Almeida (som), Director de Cena- Marques D’ Arede
Ponto- António Azevedo, Colaboração de: Deolinda Silva, Arminda Lúcio, Luisa Jacob, Elisa Brás
Espectáculo visado pela D. S. E. – Espectáculo para 18 Anos

…A cenografia de José Manuel Castanheira é de um acerto e de um impacto invulgares. Um milagre de teatro. …É este o segundo espectáculo do G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, a segunda encenação (notável como a primeira, mas totalmente diversa) de Fernanda Lapa. 24.06.1973 – O SÉCULO – URBANO TAVARES RODRIGUES

O importante neste espectáculo, sejam quais forem as suas limitações e as suas falhas, é o facto que o G.I.T.T. Se ter enriquecido com o contacto com Gorki; de ter montado este espectáculo na sua terra; de ter sido consumido por vezes com lotações esgotadas por um público que terá certa dificuldade em vir ao teatro a Lisboa, por vezes várias, e que quando venham não lhes será fácil ver gorki… 07/07/1973 – EXPRESSO – MANUEL RIOS DE CARVALHO

 

 

 

 

 

 

 

 

De Andres Lizarraga

Encenação de Rogério de Carvalho                                                                                                                                                                                                                                                         Cenografia de José Manuel Castanheira

Intérpretes: Filipe Domingues, Rui Pinto, Marques d’Arede, Vitor Azevedo,
Eduardo Gonçalves, Maria Beatriz de Sousa, Francisco José Gonçalves e Tani Pina.                                                                                                                                                Um poema de José Carlos Vasconcelos cantado por Carlos Bastos
Ponto: António Azevedo, Operadores de luz: José Pina e Justo Prieto

…O G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, mostrou-nos através da obra de A. Lizarraga, que temos muito que trabalhar, para melhorar o mundo em que vivemos. Conhecemos o G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria – quando apresentou no Teatro S. Luis, a obra de M.Gorki “Pequenos Burgueses”. Tal como agora, gostámos da sua força representativa. TRIBUNA DO POVO – SILVA LAMEIRA

…“Povoação, Vende-se” é mais um exemplo de um teatro de amadores que não se limita a fazer política, cheio de boas intenções, procurando através do tratamento estético dos seus significantes, tornar mais eficaz essa carga política.
03/08/1975 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

… A plateia madeirense voltou a ter oportunidade de de assistir ao trabalho de uma companhia continental. Desta vez amadora, representando um teatro ainda mais popular, de fácil leitura e que mostra, realmente, ser feito por gente que gosta (e sabe) de representar.                                                                                   … Vale a pena ver o G.I.T.T. No Teatro Municipal do Funchal
09/11/1975 – DIÁRIO NOTÍCIAS – FUNCHAL – C.P.

Realizaram-se 44 espectáculos: 15 no RDT-Trafaria, 3 no Teatro Avenida no Funchal, 1 no Teatro Garcia Rezende em Évora. Restantes 25 em: Santarém, Capuchos,Seixal, Almada,Lisboa, Cova da Piedade, Setúbal, Feijó, Algés, Alpiarça, Bombarral, Nontijo, Costa Caparica, Pragal, Olivais Sul, Moita e Vila nova de Gaia.  Total de espectadores: 8.130. Participação no Festival de Teatro Popular no Funchal

 
 

 

 

 

 

 

 

 

De Anton Tchekhov
Encenação de Rogério de Carvalho
Cenografia de José Manuel Castanheira

Intérpretes: Maria Emília Castanheira, Ana Maria, Maria Beatriz de Sousa, Filipe Domingues, Vitor Azevedo, José Augusto, Tani Pina, Carlos Caixado, Sara Quintela, Rui Pinto, Marques Lourenço, Francisco José Gonçalves, Isaura Barra e José António

Operadores de Luz: Justo Prieto, Fernando Leite, José Pina e Carlos Vicente

Operador de som: Fernando Firmino, Carpinteiro: Manuel Barbosa, Publicidade: Manuel Gama
Costureira: Aurora Pinhão, Adereços:Móveis Coelho e Interdeco, Guarda-roupa:Paiva e Teatro da Cornucópia

Um grupo de amadores, dirigido por um encenador amador que pede meças aos profissionais, criou um Tchekhov tchekhoviano como raramente (ou nunca) se terá visto em Portugal. É uma daquelas coisas interminávelmente belas que fazem chorar e rir ao mesmo tempo, não apenas por aquilo que têm por certo mas até – maravilha! – pelas suas próprias e inevitáveis fraquezas. Um espectáculo que nos enriquece pela sua pobreza tão bem aproveitada. Indispensável!
10/12/1977 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

…Em todo o caso, a minha maior surpresa em matéria do teatro que me foi  dado ver desde que escrevo sobre esta arte.                                                              …Mas desta vez, os amadores da Trafaria,   fizeram-me cair de surpresa pelos seus   incomparáveis dotes, pela segurança da sintaxe de discurso teatral, pela expressão complexa e dúctil. Este último fenómeno, aliás, já mais a ver com o trabalho de intérpretes.  28/07/1977 – A LUTA – JORGE LISTOPAD

Seja como for, os falsos amadores, isto é, os profissionais, pelo enorme talento, alguns pelo rigor, todos visitaram o teatro lisboeta como se viessem doutro planeta, chamado, não Trafaria, mas Tchekhov. E desenham, diante dos nossos olhos cansados e agora espantados, o rascunho da vida, de que só a arte pode apoderar-se. 14/01/1978 – EXPRESSO – JORGE LISTOPAD

…Ali, no teatro bairro alto, um determinado espaço cénico transformou-se repentinamente no grande espaço real da vida. Vive-se e sofre-se a ver “As três Irmãs”. É um retrato pouco amável do nosso inferno quotidiano. Bravo. 13/01/1978 – O PAÍS

Realizaram-se 30 espectáculos; 21 no R.D.Trafaria (casino), 9 no Teatro da Cornucópia (Lisboa). Total de espectadores: 2.570

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                

Encenação de Marcelo de Brito

Intérpretes: Maria Beatriz de Sousa, Ana Maria Gonçalves, Marques d’Arede, Marcelo de Brito, José Augusto Gomes, José António Gomes
Sonoplastia de Vitor Azevedo, Operador de Luz – Francisco José.

Poemas de: Teixeira de Pascoaes (O Demónio), Manuel Alegre (Correio), José Régio

(Colegial), Marques d’Arede (Tempo de revolta), Florbela Espanca (Ser poeta), António Cabrita (Labirinto existencial), Luís de Camões (Amor), José Gomes Ferreira (Boca Cerrada de raiva), José Carlos de
Vasconcelos (Aqui onde respiro), António Gedeão (Poema do alegre desespero), Vinicius de Moraes (O Operário em construção), Vasco de Lima Couto (Chamo por ti).

 

 

 

 

 

 

De A. Strindberg
Encenação de Vitor Azevedo
Cenografia de José Manuel Castanheira
Interpretes: Marques d’Arede, Maria Beatriz de Sousa, Filipe Domingues, Isaura Barra, Tani Pina.
Operador de luz – Francisco Figueira, Operador de som – José António,
Carpintaria – José Pina e Francisco Figueira, Adereços – Móveis Coelho,
Colaboração- Manuela Ferreira, Fernando Correia e Pedro Osório.

Peça espantosa, absorvente, dificílima, peça de actores onde a raiva-mor, o diabolismo, e um certo sentido antropofágico deexperiência atingem áreas de tensão como a poucos dramaturgos foi dado alcançar, criar e conceber, não encontrou resposta adequada dos amadores da Trafaria, complicado e muitíssimo deficitário. Vitor Azevedo, o encenador, fugiu, como neste caso se impunha, a tratamento naturalista ou mesmo realista de “A Dança da Morte” mas não inventou nem descobriu o enquadramento desejável para a batalha de “Edgar”, “Alice” e “Kurt”. 08/.08/1978 – DIÁRIO POPULAR – FERNANDO MIDÕES

…É Uma trajetória cheia de coerência a que o G.I.T.T. Tem desenvolvido a partir de 1972 quando estreava a “Trilogia de Tchekhov”.
…É Essa dupla sensibilidade que não obstante os poucos meios técnicos de expressão, o encenador exprime com justo sentido cénico.                                    …Duelo de sexos esta “Dança da Morte” é também o drama da violência, a verdade sem aparências, a sufocação enleante que o encenador e o criador do espaço cénico (José M. Castanheira) povoam de fantasmas ou de sombras brancas, traduzidas nas longas faixas de plástico torcido.
09/08/1978 – DIÁRIO DE NOTÍCIAS – MANUELA DE AZEVEDO

…”A Dança da Morte” apresentada agora pelo G.I.T.T., 78 anos depois de ter sido escrita, é sem dúvida uma das melhores encenações desta obra de Strindberg. Esta encenação, assinada por Vitor Azevedo, que não é (ainda) profissional, tem uma força e uma dinâmica raramente encontrados em espectáculos, mesmo quando estes são profissionais…                                                                                                                                                                                        14/08/1978 – NOVA VIDA – ALBERTO GORTLER

Realizaram-se 8 espectáculos; 4 no R.D.Trafaria (casino), 3 na Soc. R. M. Trafariense, 1 no Samouco. .                                                                                                            Total de espectadores: 620 

 

 

 

 

 

 

 

Libreto para uma ação política

Texto e Encenação de Alberto Pimenta                                                                                                                                                                                                                     Cenografia de José Manuel Castanheira

Interpretes: Marques d’Arede, Filipe Domingues, Francisco José Gonçalves, Henrique Viegas,
Maria do Carmo, Maria Emília Castanheira, Maria José Pessoa, Marina Pinto, Natália de Matos,
Rui Pinto e Vitor Azevedo.
Assistentes de Encenação: Eulália Barros e Lina Novais, Construção sonora – Eulália Barros,
Máscaras – Conceição Barreto, Execução Guarda-Roupa – Aurora Pinhão, Operador de Luz – Francisco Figueira

…Reconhecer que este espectáculo exprime um ponto de vista pessimista, podemos até dizer conservador, não significa que considero tratar-se de um espectáculo em que se faça apologia do chefe, um espectáculo por isso reacionário. É certo que o autor não nos dá respostas, é certo que provavelmente o autor não acredita em nenhuma resposta. Ao espectáculo compete, no entanto, descobrir essas respostas, aliás evidentes tão clara é a situação.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    …Um belo espaço, criação de José Castanheira, que está para o teatro amador como Cristina Reis está para o profissional. Podemos colocá-lo, com muita justiça, junto dos nossos mais inventivos criadores de espaços técnicos. 22/06/1979 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

Realizaram-se 4 espectáculos no R.D.Trafaria (casino). Total de espectadores: 210

Comemoração do 10 de Junho
Organização e Encenação de Marques D’Arede

Colaboração Plástica de José Manuel Castanheira, Desenho de Luz e
Operação de Vitor Azevedo.

Poemas de Camões ditos por Marques d’Arede e cantados por Sabine, com música composta e apresentada ao vivo por José Almas.






De Bertold Brecht

Encenação de José Caldas
Cenografia de Dalton Salem Assef

Interpretes: Filipe Domingues, Gisela Cid (em 1980),
Teresa Caixado (em 1983), Maria do Carmo, Paula Pinto, Vitor Azevedo, Marques d’Arede (em 1980), Carlos Caixado (em 1983), Tani Pina, Rui Pinto, Rogério Monteiro.

Luz e som de: Francisco Figueira, Justo Prieto e José Pina, Figurinos de Dalton Salém Assef, Costureiras: Aurora Pinhão, Fernanda Gouveia, Cecília Gomes e Isaura Barra. 

…O GITT – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria é um grupo de amadores com um já longo e coerente trabalho, dirigido normalmente por encenadores profissionais, os espectáculos do grupo da Trafaria podem inserir-se numa prática para profissional. Não se estranhará, portanto, que o grupo tenha conseguido, com o encenador José Caldas e o figurinista Dalton Asseff, uma versão inteligente, mordaz da peça de B.B., Exprimindo com grande eficácia as suas principais significações. 21/07/1980 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

…”A Boda soa Pequenos Burgueses”, apresenta-se, a um tempo, aqui a dois passos de Lisboa, como inequívoco divertimento e como ferocíssimo discurso crítico relativo à “abstracção potente” que é a família nas sociedades de exploração (e, por extensão, às outras “abstracções” mais amplas das mesmas sociedades), isto para utilizarmos a terminologia de David Cooper, constante de um dos textos de apoio ao espectáculo.                                                  27/06/1980 – DIÁRIO POPULAR – FERNANDO MIDÕES

…É Assim, a vários títulos, um trabalho de qualidade que não desmerece o texto brechtiano antes o recria com uma viva mordacidade que não deixa de nos reconduzir a um quotidiano talvez partilhado por muitos de nós. 11/07/1980 – O DIÁRIO – MARIA HELENA SERÔDIO

Realizaram-se 32 espectáculos. Trafaria, Lisboa (Teatro da Comuna, Cornucópia e Mosteiro S.Francisco), Clube Futebol Benfica, Pinhal Novo, Baixa da Banheira, Almada, Corroios, Torre da Marinha, Carnide, Pontinha, Setúbal Porto Salvo, Malveira e Luanda (Teatro Avenida). Total de espectadores: 3.289.
Participação nos Festivais de Teatro de Setúbal (T.A.S.), 3ª. Jornadas de Carnide e F.E.S.T.A da Intersindical (1º. Prémio), espectáculo transmitido na TV Angolana.

 

 

 

 

 

De Guilherme de Figueiredo

Encenação de Carlos Caixado
Cenografia de José Manuel Castanheira

Intérpretes: Marques d’Arede, Gisela Cid, Paula Pinto, Henrique
Viegas, Rogério Monteiro, José Lobo, Marina Pinto, Teresa Caixado.  27/06/1981 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

…Espectáculo interessante, proposta cénica bem imaginada, com soluções bem achadas (uma delas a maquilhagem utilizada pelo interprete de Esopo), permitindo que as jovens actrizes do G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria revelem qualidades a ter em conta. “A Raposa e as Uvas” não consegue, no entanto, encontrar o tom mais justo, mais conforme a um texto que pedia um maior apoio sob o ponto de vista da sua inteligibilidade, ainda que tal obrigasse a sacrificar certos efeitos cénicos.
Sonoplastia de Carlos Caixado, operação de luz de Justo Prieto, estrutura cénica cedida pela Ytong Portuguesa.

Realizaram~se 8 espectáculos no R.D.Trafaria (casino) com 325 espectadores

De Moliere
Encenação e espaço cénico de Vitor Azevedo

Intérpretes: Filipe Domingues, Cristina Bento, Rui Pinto, Vitor Azevedo, Maria do Carmo ,
Maria Amélia Sanches, Francisco Patrocinio, Marques d’Arede – voz off                                                                                                                                                                             O texto “O Projector Avariado” de Karl Valentin é interpretado por Carlos Marques, Vitor Azevedo e Isaura Barra. 

Música de Schõnherr, M.Rozsa, Monterde e Fain , Operador de luz – Paulo Cortêz, Operador de som – Mário Rui,
Montagem- António Henrique, Cartaz- Francisco Patrocinio, Guarda-Roupa- Comuna-teatro de pesquisa.

… De menção, que nos apraz registar, neste 11º. Espectáculo do GITT, mais outros jovens colaboraram na subida à cena da peça e que boa conta dão de si. A todos os títulos é um bem, na medida em que, mesmo que não venham a continuar, não deixam a de ter ficado marcados por essa sublime arte de sonho e fantasia que é o Teatro. …De muito agrado é o espaço cénico que muito bem se coaduna com a estilo e época em que a peça foi feita. Mas atenção. Se bem que o “Esganarelo” tenha sido escrita no século XVII, não deixa de ser uma obra actual porque Esganarelos não faltam, assim como tantas outras situações que Moliere tão bem retrata na peça.                                                                                                                                                                                                    AGOSTO/1985 – JORNAL DE ALMADA – MANUEL LOURENÇO SOARES

Realizaram-se 10 espectáculos. Total de espectadores: 447
Participação nos Festivais de Teatro de Évora (S.O.I.R.) e FESTA (Intersidical)

 

 

 

 

 

 

De Rui Pinto

Encenação e espaço cénico de Rui Pinto e Vitor Azevedo
Cenografia de Carlos Marques
Direcção Musical de Carlos Barra

Intérpretes: Carlos Marques, Miguel Garcia, Mila Bernardes, Vitor Mio, Carlos Barra, Rui Pinto, Pedro Pina, Dora Phidalgo, Fátima Martins, Vitor Azevedo e Sandra Fidalgo                                                                                                                                                                                                                                                                                     Operadores de som e Luz: António Henrique, Mário Rui e Miguel Borges, Cartaz e Programa de Vitor Mio

Intérpretes: Carlos Marques, Miguel Garcia, Mila Bernardes, Vitor Mio, Carlos Barra, Rui Pinto, Pedro Pina, Dora Phidalgo, Fátima Martins, Vitor Azevedo e Sandra Fidalgo
Operadores de som e Luz: António Henrique, Mário Rui e Miguel Borges, Cartaz e Programa de Vitor Mio

Café Teatro com texto original de Rui Pinto cujo título completo é: TRAFARIA, CANTOS E DESENCANTOS
AVARIAÇÕES EM RÉ E PROA COM SOLOS DE TENTILHÃO

No reino da passarada
cada um pia o que pia
por isso na chilreada
há uma perfeita harmonia
Juntámos o nosso bando
fizemos dele a negaça
para sem gritos nem mando
atrair a populaça
O comedouro asseado
sementes sãs água pura
o chamaris afinado
temos caçada segura
Gaiola será o espaço
para teatro montar
sem desânimo ou cansaço
todos podermos voar
E se o teatro é a vida
demos vida à nossa gente
se a meta for atingida
o GITT fica contente
Rui Pinto

 

 

 

 

 

 

 

de TCHEKHOV
Encenação de Rui Pinto
Espaço cénico de Carlos Marques e Vitor Azevedo
3 peças em 1 acto: O URSO, UM PEDIDO DE CASAMENTO e O CANTO DO CISNE

Intérpretes: O URSO; Fátima Martins, Marques Lourençoe Miguel Garcia, UM PEDIDO DE
CASAMENTO; Vitor Azevedo, Carlos Marques e Mila Bernardes, O CANTO DO CISNE; Rui Pinto

Operador de som e luz: António Henrique e Mário Rui, Guarda-roupa: Comp. Teatro de Almada e Teatro da Malaposta, Adereços:Móveis Simões.

O ano de 1990 foi designado pelo mundo teatral “ANO TCHEKHOV”.
Muitos países têm tido em cena ao longo deste ano as obras deste grande dramaturgo. Portugal também aqui e ali o tem feito. O GITT que durante a sua existência já montou dois espectáculos de Tchekhov, também se associa às comemorações e apresenta o seu 14º espectáculo dedicado a este extraordinário homem da literatura Russa. Ao incluirmos neste novo trabalho “O canto do cisne” tivemos propósito de alterar substancialmente a leitura deste espectáculo em relação aquele com que o nosso grupo se estreou. Se no primeiro espectáculos peças não tinham qualquer ligação entre si,neste, essa ligação existe a partir de uma nova dramaturgia enquadrada num espaço cénico onde “coabitam” o autor, os actores, as personagens, enfim todos aqueles que fazem desses lugares mágicos que são o palco e os bastíadores o nosso “TCHEKHOV E O LIMÃO ESPREMIDO”.

…O GITT é dos raros grupos, se não o único no concelho de Almada, que se tem mantido em atuação constante desde a sua fundação.                                         … Ao agradável espectáculo que é, esta trilogia de obra recordando e homenageando Tchechov, foram muitas as pessoas que assistiram, vindas de fora da Trafaria inclusive Maria Emília Neto de Sousa, Presidenta da Câmara Municipal de Almada e o Vereador do pelouro da cultura.                                     16/11/1990 – JORNAL DE ALMADA – MANUEL LOURENCO SOARES

Realizaram-se 10 espectáculos, 8 no R.D.Trafaria, 2 no Teatro Municipal de Almada. Total de espectadores: 541

Colagem de 3 peças e um Manifesto

Encenação e Dramaturgia de Vitor Azevedo
Cenografia de Vitor Mio

Intérpretes: Vitor Azevedo, Manuel Pereira, Òscar Alves, Carlos Marques, Mila Bernardes, Maria João Silva, Pedro Meireles, Vitor Mio, Fátima Martins

Textos de:Karl Valentin (Pai e filho falam da guerra), Brecht (O espião), Harold Pinter (Uma para o caminho), Almada Negreiros (Manifesto futurista).

Operadores de som e luz: Nuno Horta, Rui Miguel, António Henrique – Montagem deJoaquim Correia – Guarda roupa: Comp. Teatro de Almada –  dereços: Sultubos – Banda Sonora:Miles Davis, Philip Glass e Roger Hudgson –                                                                                                                                                 Agradecimentos: Vasco Eloy e Mestre Verdades.

…Deve dizer-se que se trata de um notável trabalho de dramaturgia.                                                                                                                                                                  …TODOS SOMOS SUSPEITOS, do GITT, uma prova de que o teatro de amadores não só não acabou como está apto e interessado em ser outra vez a voz incómoda que já foi. 01/03/1993 – J.L. – CARLOS PORTO

TODOS SOMOS SUSPEITOS arroga-se o direito de ser um espectáculo “fora de moda”, um espectáculo que quase nos obriga à sensação de estarmos após Abril de 1974. …Logo um espectáculo com alvos bem concretos… Há que somar um inteligente uso dos tempos, por parte de Vitor Azevedo, coisa nem sempre comum entre amadores. 09/03/1993

…A última aventura do GITT, que, na década de 70,conheceu dias de glória. Os dias em que o teatro amador supria a falta do teatro independente… Mas o GITT não morreu e este seu último espectáculo (Todos Somos Suspeitos) é de uma grande lucidez e vitalidade. As três peças em um acto dão matéria para uma reflexão muito a propósito… Teatro para ver e pensar. 02/04/1993 – O PÚBLICO – MANUEL JOÃO GOMES

Realizaram-se 8 espectáculos: 5 no R.D.Trafaria (casino), 2 no Teatro M. Almada, 1 no Teatro Maria Matos.                                                                                                 Total de espectadores: 701
Participação no Festival Teatro do Inatel/C. M. de Lisboa obtendo o 1º.prémio da Melhor Realização Plástica

Cartazes

Joaquim benite (1943-2012)

Vinte e cinco anos um quarto de século. Para um grupo de teatro amador chegar, vivo e activo, à comemoração de uma tal efeméride – quantos sacrifícios, quantas angústias, quanto esforço. Mas, também, quantas alegrias! O G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria foi um grupo que fez história. Um colectivo de amadores – no sentido mais nobre da palavra – que marcou, de modo decisivo, a história cultural do Concelho de Almada, pioneiro que foi de uma renovação estética e de uma atitude cultural que fizeram escola. Na luta contra o marasmo e a mediocridade, o G.I.T.T. foi o centro de um actividade artística que teve influência a nível nacional e contribuiu ao lado de outros grupos, para alterações de qualidade que neste quarto de século fundaram outro teatro em Portugal. Não esqueço, também, que foi o G.I.T.T. que, primeiro, organizou um Festival de Teatro no Concelho de Almada. Neste plano sinto-me como alguém que herdou um testemunho e fez – e faz – o possível por honrá-lo. Longa vida, companheiros do G.I.T.T. Joaquim Benite

Carlos porto (1930-2008)

Muito lhes devo, eu mesmo, espectador e por isso amador (amante!), eu mesmo percorrendo, quantas vezes os seus caminhos, descobrindo, aqui e ali, perto e longe, o lugar da surpresa, a passagem da luz, o desencadear da emoção. Poderia falar de muitos grupos, de inúmeros espectáculos, de incontáveis artesãos, de trabalhadores sensíveis, de artistas: nuns e noutros, em muitos deles, descobri, descobrindo-me, esse outro teatro que foi muitas vezes, e continua a ser, um teatro outro. Entre esses grupos, esses espectáculos, esses artistas, abro espaço para o GITT- – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, vinte e cinco anos de amor pelo teatro, ou seja, de criação teatral, vinte e cinco anos de aventura exemplar ao serviço do teatro, isto é, ao serviço de todos.

História

GITT
40 ANOS DE HISTÓRIA

Ia o ano de 1972 quando um punhado de pessoas, sentadas à volta de uma grande mesa no “Recreios Desportivos da Trafaria”, decidiram formar um grupo de teatro. Que teatro e para quem? Foi a primeira questão que se levantou e que teve resposta imediata: “Actual e Actuante”, sobretudo dirigido à classe economicamente menos favorecida, que, ao longo de anos e anos, não tivera oportunidade de ver teatro dos grandes dramaturgos nacionais ou estrangeiros. Um teatro que não fosse panfletário, perante uma realidade portuguesa em que o Estado proclamava a cultura como o inimigo do povo, mas antes um teatro de compromisso com o povo na denúncia do Portugal de então.

E, nesse mesmo ano, foi montado um espectáculo de avaliação das nossas capacidades: uma trilogia de peças em 1 acto de Anton Tchekhov . “Cénico Trafariense” foi o primeiro nome dado ao grupo. E, no ano seguinte, já com o nome definitivo ” GITT- Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria”, estreávamos “Os Pequenos Burgueses”, de Máximo Gorki.

Saudado, por muitos e bons do nosso teatro, críticos, actores e encenadores, o espectáculo é cancelado pela D.G.E. e só mais tarde autorizado a prosseguir nas datas agendadas. O 1º Encontro de Teatro Amador da Trafaria e as palestras de teatro sobre “O actor”, “A Dramaturgia”, “A encenação” e “A história do Teatro”, por Mário Viegas, Sinde Filipe, Alexandre Babo, Fernanda Lapa e Luso Soares, trouxeram-nos uma formação importante para a consolidação do grupo face aos novos caminhos que Abril viria a abrir. 

Abril de 74, de facto, abriu-nos as portas por onde entraram Gorky, Tchekhov, Strindberg, Molière, Brecht, Santareno, Shaffer, Nelson Rodrigues, Mediero, Marivaux, Lizarraga, Alberto Pimenta, Pinter, Karl Valentin, Camões, Cossa, Gil Vicente e outros, que se fizeram acompanhar dos encenadores Fernanda Lapa, Rogério de Carvalho, José Caldas, Alberto Pimenta e os cenógrafos José Manuel Castanheira e Dalton Assef Salém. Em paralelo, criámos 5 Ciclos de Cultura com música (Zeca Afonso, José Mário Branco,  Carlos Paredes), teatro (Comuna, Marionetas de S. Lourenço,Teatro Animação de Setúbal), o O.T.C., Grupo de Campolide, bailado (“Dança Grupo” e “Mimo dança”), cinema (Woody Allen, Visconti, Manuel de Oliveira, Luis Buñuel) músicos, actores e grupos de teatro que fizeram a Festa estar bonita (citando Chico Buarque)

Nos finais dos anos 80 as portas começaram a ficar entreabertas. Na verdade, já não encontrámos a disponibilidade a que nos haviam habituado Grupos, músicos e cantores. Os jornais já não publicavam notícias do teatro feito por amadores. Não podemos deixar de recordar a longa entrevista de Isabel da Nóbrega a intérpretes de “Três Irmãs” de Tchekhov, no Rádio Clube Português no seu programa “Tempo Jovem”, após a estreia do nosso espectáculo, em 1978 no Teatro da Cornucópia .em Lisboa.  Em tempos adversos, começámos a fazer as nossas encenações, os nossos cenários, os nossos programas e cartazes.

A Mostra de Teatro de Almada homenageia-nos neste dia pelos nossos 40 anos de existência. Foi a “Mostra” que nos proporcionou uma regularidade de produção. Graças a ela, outros grupos nasceram. Já somos muitos no nosso Concelho. Hoje, em tempos de “crise da democracia e do país”, anima-nos a esperança de que a cultura em Portugal não regressará ao obscurantismo do passado.  À Liga dos Amigos da Trafaria (o nosso primeiro apoio), Câmara Municipal de Almada, Junta de Freguesia da Trafaria, Secretaria do Estado da Cultura, Fundação C. Gulbenkian e Companhia de Teatro de Almada agradecemos sinceramente terem cumprido com o seu dever.

A todos aqueles que ao longo destes anos colaboraram com o GITT, como havemos de lhes agradecer? Foram “só” 120 pessoas!

Mas a grande âncora do GITT é o “Recreios Desportivos da Trafaria” que nos acolhe há 40 anos, sempre com as suas portas abertas, permitindo-nos dizer que é a nossa casa, a casa onde comungamos as nossas actividades como se fossemos uma só entidade. Obrigado R.D.T

 

Vitor Azevedo

09-11-2012


Instantâneos

PEÇAS EM 1 ACTO

O Urso – Um pedido de casamento – O Aniversário do Banco Encenação de Marcelo de Brito                                                            

Intérpretes: Maria Beatriz de Sousa, Maria Emília, Fernanda Jacob, Aurelindo Lúcio, Rui Pinto, Vítor Azevedo, Rui Jacob, Filipe Domingues e Marcelo de Brito

Operador de luz – Vítor Esperança e José Abelha, Operador de som – João Gomes e Fernanda Pinto Montagem – José Abelha , Contra-regra – Francisco Felgueiras. Adereços – Móveis Coelho

… Dissemos uma vez nestas colunas que o Casino devido a uma série de factores que jogam a seu favor poderia ser uma das mais válidas e actuantes. colectividades de Cultura e Recreio do concelho almadense. claro que para assim ser, pesa e muito a vontade de todos aqueles que se encontram à frente dos seus destinos. Pois bem, graças ao bom senso e dinamismo da actual Direcção dos Recreios Desportívos da Trafaria (Casino), às suas vistas largas e à vontade firme e voluntariosa de um grupo de jovens – velhos são os trapos – foi criado o Cénico Trafariense. E assim, após os dias de labuta ou de estudo – qualquer dos componentes deste agrupamento teatral, tem o dia ocupado com as suas actividades profissionais ou escolares – seguiam-se os ensaios, até altas horas da noite, para levar à cena «O Urso»; «O Aniversário do Banco» e «Um pedido de casamento»; três peças em um acto do genial autor,’ Antón Tcheckov.

…Não vamos dizer que este ou aquele interprete foi genial, melhor ou pior que outro. Todos estão à altura do seu papel. O público que tem acorrido à popular colectividade para ver um dos mais representados autores pelos grupos de teatro amador, tem-se sentido grandemente interessado pelo espectáculo que sobre todos os aspectos se pode considerar satísfatório…Está de parabéns o Casino! E está de parabéns a Trafaria! Almada, este populoso  concelho, tão próximo e tão longe de Lisboa, apenas possui actualmente e e m a c t u a ç ã o e s t e n ó v e l agrupamente cénico. É de lamentar que assim aconteça mas é a v e r d a d e . …Os nossos parabéns ao Cénico Trafariense não só pelo bom trabalho realizado, como também pela possibilidade que os seus componentes dão. à assistência de, após cada sessão, dialogarem sobre Teatro.

Após 4 representações na Trafaria e outra na SFUAP-Cova da Piedade, com um total de 530 espectadores,
por vontade unânime de todo o grupo, o Cénico Trafariense passou a denominar-se “GITT-Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria”

 

De Maximo Gorki

Tradução de Gina de Freitas, revista por Luís Francisco Rebelo         

Encenação e direcção de actores de Fernanda Lapa                                                                                       Cenografia de José Manuel Castanheira 

Intérpretes: Maria Emílla, Maria Beatriz Sousa, Vitor Azevedo, Aurelindo Lúcio, Tani Pina Maria Fernandes, Filipe Domingues, Rui Pinto, Marcelo de Brito, Fernanda Jacob, Isabel Marques, Rui Jacob e Marçal Pinto.                                                        

Um poema de José Gomes Ferreira dito por Mário Viegas.

Montagem: José Abelha, José Pina (luz), Soares D’ Almeida (som), Director de Cena- Marques D’ Arede
Ponto- António Azevedo, Colaboração de: Deolinda Silva, Arminda Lúcio, Luisa Jacob, Elisa Brás
Espectáculo visado pela D. S. E. – Espectáculo para 18 Anos

…A cenografia de José Manuel Castanheira é de um acerto e de um impacto invulgares. Um milagre de teatro. …É este o segundo espectáculo do G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, a segunda encenação (notável como a primeira, mas totalmente diversa) de Fernanda Lapa. 24.06.1973 – O SÉCULO – URBANO TAVARES RODRIGUES

O importante neste espectáculo, sejam quais forem as suas limitações e as suas falhas, é o facto que o G.I.T.T. Se ter enriquecido com o contacto com Gorki; de ter montado este espectáculo na sua terra; de ter sido consumido por vezes com lotações esgotadas por um público que terá certa dificuldade em vir ao teatro a Lisboa, por vezes várias, e que quando venham não lhes será fácil ver gorki… 07/07/1973 – EXPRESSO – MANUEL RIOS DE CARVALHO

 

 De Andres Lizarraga

Encenação de Rogério de Carvalho                                                                                                                                                        Cenografia de José Manuel Castanheira

Intérpretes: Filipe Domingues, Rui Pinto, Marques d’Arede, Vitor Azevedo,
Eduardo Gonçalves, Maria Beatriz de Sousa, Francisco José Gonçalves e Tani Pina.                                                                    Um poema de José Carlos Vasconcelos cantado por Carlos Bastos Ponto: António Azevedo, Operadores de luz: José Pina e Justo Prieto

…O G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, mostrou-nos através da obra de A. Lizarraga, que temos muito que trabalhar, para melhorar o mundo em que vivemos. Conhecemos o G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria – quando apresentou no Teatro S. Luis, a obra de M.Gorki “Pequenos Burgueses”. Tal como agora, gostámos da sua força representativa. TRIBUNA DO POVO – SILVA LAMEIRA

…“Povoação, Vende-se” é mais um exemplo de um teatro de amadores que não se limita a fazer política, cheio de boas intenções, procurando através do tratamento estético dos seus significantes, tornar mais eficaz essa carga política.
03/08/1975 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

… A plateia madeirense voltou a ter oportunidade de de assistir ao trabalho de uma companhia continental. Desta vez amadora, representando um teatro ainda mais popular, de fácil leitura e que mostra, realmente, ser feito por gente que gosta (e sabe) de representar.                                                                                 … Vale a pena ver o G.I.T.T. No Teatro Municipal do Funchal
09/11/1975 – DIÁRIO NOTÍCIAS – FUNCHAL – C.P.

Realizaram-se 44 espectáculos: 15 no RDT-Trafaria, 3 no Teatro Avenida no Funchal, 1 no Teatro Garcia Rezende em Évora. Restantes 25 em: Santarém, Capuchos,Seixal, Almada,Lisboa, Cova da Piedade, Setúbal, Feijó, Algés, Alpiarça, Bombarral, Nontijo, Costa Caparica, Pragal, Olivais Sul, Moita e Vila nova de Gaia.  Total de espectadores: 8.130. Participação no Festival de Teatro Popular no Funchal

 







De Anton Tchekhov
Encenação de Rogério de Carvalho
Cenografia de José Manuel Castanheira

Intérpretes: Maria Emília Castanheira, Ana Maria, Maria Beatriz de Sousa, Filipe Domingues, Vitor Azevedo, José Augusto, Tani Pina, Carlos Caixado, Sara Quintela, Rui Pinto, Marques Lourenço, Francisco José Gonçalves, Isaura Barra e José António

Operadores de Luz: Justo Prieto, Fernando Leite, José Pina e Carlos Vicente

Operador de som: Fernando Firmino, Carpinteiro: Manuel Barbosa, Publicidade: Manuel Gama
Costureira: Aurora Pinhão, Adereços:Móveis Coelho e Interdeco, Guarda-roupa:Paiva e Teatro da Cornucópia

Um grupo de amadores, dirigido por um encenador amador que pede meças aos profissionais, criou um Tchekhov tchekhoviano como raramente (ou nunca) se terá visto em Portugal. É uma daquelas coisas interminávelmente belas que fazem chorar e rir ao mesmo tempo, não apenas por aquilo que têm por certo mas até – maravilha! – pelas suas próprias e inevitáveis fraquezas. Um espectáculo que nos enriquece pela sua pobreza tão bem aproveitada. Indispensável!
10/12/1977 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

…Em todo o caso, a minha maior surpresa em matéria do teatro que me foi  dado ver desde que escrevo sobre esta  arte.   …Mas desta vez, os amadores da Trafaria,   fizeram-me cair de surpresa pelos seus   incomparáveis dotes, pela segurança da sintaxe de discurso teatral, pela expressão complexa e dúctil. Este último fenómeno, aliás, já mais a ver com o trabalho de intérpretes.  28/07/1977 – A LUTA – JORGE LISTOPAD

Seja como for, os falsos amadores, isto é, os profissionais, pelo enorme talento, alguns pelo rigor, todos visitaram o teatro lisboeta como se viessem doutro planeta, chamado, não Trafaria, mas Tchekhov. E desenham, diante dos nossos olhos cansados e agora espantados, o rascunho da vida, de que só a arte pode apoderar-se. 14/01/1978 – EXPRESSO – JORGE LISTOPAD

…Ali, no teatro bairro alto, um determinado espaço cénico transformou-se repentinamente no grande espaço real da vida. Vive-se e sofre-se a ver “As três Irmãs”. É um retrato pouco amável do nosso inferno quotidiano. Bravo. 13/01/1978 – O PAÍS

Realizaram-se 30 espectáculos; 21 no R.D.Trafaria (casino), 9 no Teatro da Cornucópia (Lisboa). Total de espectadores: 2.570

 

                                                                                       Encenação de Marcelo de Brito

Intérpretes: Maria Beatriz de Sousa, Ana Maria Gonçalves, Marques d’Arede, Marcelo de Brito, José Augusto Gomes, José António Gomes Sonoplastia de Vitor Azevedo, Operador de Luz – Francisco José.

Poemas de: Teixeira de Pascoaes (O Demónio), Manuel Alegre (Correio), José Régio

(Colegial), Marques d’Arede (Tempo de revolta), Florbela Espanca (Ser poeta), António Cabrita (Labirinto existencial), Luís de Camões (Amor), José Gomes Ferreira (Boca Cerrada de raiva), José Carlos de Vasconcelos (Aqui onde respiro), António Gedeão (Poema do alegre desespero), Vinicius de Moraes (O Operário em construção), Vasco de Lima Couto (Chamo por ti).







De A. Strindberg
Encenação de Vitor Azevedo
Cenografia de José Manuel Castanheira
Interpretes: Marques d’Arede, Maria Beatriz de Sousa, Filipe Domingues, Isaura Barra, Tani Pina.
Operador de luz – Francisco Figueira, Operador de som – José António,
Carpintaria – José Pina e Francisco Figueira, Adereços – Móveis Coelho,
Colaboração- Manuela Ferreira, Fernando Correia e Pedro Osório.

Peça espantosa, absorvente, dificílima, peça de actores onde a raiva-mor, o diabolismo, e um certo sentido antropofágico deexperiência atingem áreas de tensão como a poucos dramaturgos foi dado alcançar, criar e conceber, não encontrou resposta adequada dos amadores da Trafaria, complicado e muitíssimo deficitário. Vitor Azevedo, o encenador, fugiu, como neste caso se impunha, a tratamento naturalista ou mesmo realista de “A Dança da Morte” mas não inventou nem descobriu o enquadramento desejável para a batalha de “Edgar”, “Alice” e “Kurt”. 08/.08/1978 – DIÁRIO POPULAR – FERNANDO MIDÕES

…É Uma trajetória cheia de coerência a que o G.I.T.T. Tem desenvolvido a partir de 1972 quando estreava a “Trilogia de Tchekhov”.
…É Essa dupla sensibilidade que não obstante os poucos meios técnicos de expressão, o encenador exprime com justo sentido cénico.                                    …Duelo de sexos esta “Dança da Morte” é também o drama da violência, a verdade sem aparências, a sufocação enleante que o encenador e o criador do espaço cénico (José M. Castanheira) povoam de fantasmas ou de sombras brancas, traduzidas nas longas faixas de plástico torcido.
09/08/1978 – DIÁRIO DE NOTÍCIAS – MANUELA DE AZEVEDO

…”A Dança da Morte” apresentada agora pelo G.I.T.T., 78 anos depois de ter sido escrita, é sem dúvida uma das melhores encenações desta obra de Strindberg. Esta encenação, assinada por Vitor Azevedo, que não é (ainda) profissional, tem uma força e uma dinâmica raramente encontrados em espectáculos, mesmo quando estes são profissionais…                                                          14/08/1978 – NOVA VIDA – ALBERTO GORTLER

Realizaram-se 8 espectáculos; 4 no R.D.Trafaria (casino), 3 na Soc. R. M. Trafariense, 1 no Samouco. .                                                                                                            Total de espectadores: 620 











Libreto para uma ação política

Texto e Encenação de Alberto Pimenta                                                                   

Cenografia de José Manuel Castanheira

Interprétes: Marques d’Arede, Filipe Domingues, Francisco José Gonçalves, Henrique Viegas, Maria do Carmo, Maria Emília Castanheira, Maria José Pessoa, Marina Pinto, Natália de Matos,
Rui Pinto e Vitor Azevedo.
Assistentes de Encenação: Eulália Barros e Lina Novais, Construção sonora – Eulália Barros,
Máscaras – Conceição Barreto, Execução Guarda-Roupa – Aurora Pinhão, Operador de Luz – Francisco Figueira

…Reconhecer que este espectáculo exprime um ponto de vista pessimista, podemos até dizer conservador, não significa que considero tratar-se de um espectáculo em que se faça apologia do chefe, um espectáculo por isso reacionário. É certo que o autor não nos dá respostas, é certo que provavelmente o autor não acredita em nenhuma resposta. Ao espectáculo compete, no entanto, descobrir essas respostas, aliás evidentes tão clara é a situação.

…Um belo espaço, criação de José Castanheira, que está para o teatro amador como Cristina Reis está para o profissional. Podemos colocá-lo, com muita justiça, junto dos nossos mais inventivos criadores de espaços técnicos. 22/06/1979 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

Realizaram-se 4 espectáculos no R.D.Trafaria (casino). Total de espectadores: 210

Comemoração do 10 de Junho
Organização e Encenação de Marques D’Arede

Colaboração Plástica de José Manuel Castanheira, Desenho de Luz e
Operação de Vitor Azevedo.

Poemas de Camões ditos por Marques d’Arede e cantados por Sabine, com música composta e apresentada ao vivo por José Almas.

De Bertold Brecht

Encenação de José Caldas
Cenografia de Dalton Salem Assef

Interpretes: Filipe Domingues, Gisela Cid (em 1980),
Teresa Caixado (em 1983), Maria do Carmo, Paula Pinto, Vitor Azevedo, Marques d’Arede (em 1980), Carlos Caixado (em 1983), Tani Pina, Rui Pinto, Rogério Monteiro.

Luz e som de: Francisco Figueira, Justo Prieto e José Pina, Figurinos de Dalton Salém Assef, Costureiras: Aurora Pinhão, Fernanda Gouveia, Cecília Gomes e Isaura Barra. 

…O GITT – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria é um grupo de amadores com um já longo e coerente trabalho, dirigido normalmente por encenadores profissionais, os espectáculos do grupo da Trafaria podem inserir-se numa prática para profissional. Não se estranhará, portanto, que o grupo tenha conseguido, com o encenador José Caldas e o figurinista Dalton Asseff, uma versão inteligente, mordaz da peça de B.B., Exprimindo com grande eficácia as suas principais significações. 21/07/1980 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

…”A Boda soa Pequenos Burgueses”, apresenta-se, a um tempo, aqui a dois passos de Lisboa, como inequívoco divertimento e como ferocíssimo discurso crítico relativo à “abstracção potente” que é a família nas sociedades de exploração (e, por extensão, às outras “abstracções” mais amplas das mesmas sociedades), isto para utilizarmos a terminologia de David Cooper, constante de um dos textos de apoio ao espetáculo.     27/06/1980 – DIÁRIO POPULAR – FERNANDO MIDÕES

…É Assim, a vários títulos, um trabalho de qualidade que não desmerece o texto brechtiano antes o recria com uma viva mordacidade que não deixa de nos reconduzir a um quotidiano talvez partilhado por muitos de nós. 11/07/1980 – O DIÁRIO – MARIA HELENA SERÔDIO

Realizaram-se 32 espectáculos. Trafaria, Lisboa (Teatro da Comuna, Cornucópia e Mosteiro S.Francisco), Clube Futebol Benfica, Pinhal Novo, Baixa da Banheira, Almada, Corroios, Torre da Marinha, Carnide, Pontinha, Setúbal Porto Salvo, Malveira e Luanda (Teatro Avenida). Total de espectadores: 3.289.
Participação nos Festivais de Teatro de Setúbal (T.A.S.), 3ª. Jornadas de Carnide e F.E.S.T.A da Intersindical (1º. Prémio), espectáculo transmitido na TV Angolana.

De Guilherme de Figueiredo

Encenação de Carlos Caixado
Cenografia de José Manuel Castanheira

Intérpretes: Marques d’Arede, Gisela Cid, Paula Pinto, Henrique
Viegas, Rogério Monteiro, José Lobo, Marina Pinto, Teresa Caixado.  27/06/1981 – DIÁRIO DE LISBOA – CARLOS PORTO

…Espectáculo interessante, proposta cénica bem imaginada, com soluções bem achadas (uma delas a maquilhagem utilizada pelo interprete de Esopo), permitindo que as jovens actrizes do G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria revelem qualidades a ter em conta. “A Raposa e as Uvas” não consegue, no entanto, encontrar o tom mais justo, mais conforme a um texto que pedia um maior apoio sob o ponto de vista da sua inteligibilidade, ainda que tal obrigasse a sacrificar certos efeitos cénicos.
Sonoplastia de Carlos Caixado, operação de luz de Justo Prieto, estrutura cénica cedida pela Ytong Portuguesa.

Realizaram~se 8 espectáculos no R.D.Trafaria (casino) com 325 espectadores

De Moliere
Encenação e espaço cénico de Vitor Azevedo

Intérpretes: Filipe Domingues, Cristina Bento, Rui Pinto, Vitor Azevedo, Maria do Carmo ,
Maria Amélia Sanches, Francisco Patrocinio, Marques d’Arede – voz off                                                                                      O texto “O Projector Avariado” de Karl Valentin é interpretado por Carlos Marques, Vitor Azevedo e Isaura Barra. 

Música de Schõnherr, M.Rozsa, Monterde e Fain , Operador de luz – Paulo Cortêz, Operador de som – Mário Rui,
Montagem- António Henrique, Cartaz- Francisco Patrocinio, Guarda-Roupa- Comuna-teatro de pesquisa.

…De menção, que nos apraz registar, neste 11º. Espectáculo do GITT, mais outros jovens colaboraram na subida à cena da peça e que boa conta dão de si. A todos os títulos é um bem, na medida em que, mesmo que não venham a continuar, não deixam a de ter ficado marcados por essa sublime arte de sonho e fantasia que é o Teatro. …De muito agrado é o espaço cénico que muito bem se coaduna com a estilo e época em que a peça foi feita. Mas atenção. Se bem que o “Esganarelo” tenha sido escrita no século XVII, não deixa de ser uma obra actual porque Esganarelos não faltam, assim como tantas outras situações que Moliere tão bem retrata na peça.  AGOSTO/1985 – JORNAL DE ALMADA – MANUEL LOURENÇO SOARES

Realizaram-se 10 espectáculos. Total de espectadores: 447
Participação nos Festivais de Teatro de Évora (S.O.I.R.) e FESTA (Intersidical)

 

 

 

De Rui Pinto

Encenação e espaço cénico de Rui Pinto e Vitor Azevedo
Cenografia de Carlos Marques
Direcção Musical de Carlos Barra

Intérpretes: Carlos Marques, Miguel Garcia, Mila Bernardes, Vitor Mio, Carlos Barra, Rui Pinto, Pedro Pina, Dora Phidalgo, Fátima Martins, Vitor Azevedo e Sandra Fidalgo                                                                Operadores de som e Luz: António Henrique, Mário Rui e Miguel Borges, Cartaz e Programa de Vitor Mio

Intérpretes: Carlos Marques, Miguel Garcia, Mila Bernardes, Vitor Mio, Carlos Barra, Rui Pinto, Pedro Pina, Dora Phidalgo, Fátima Martins, Vitor Azevedo e Sandra Fidalgo
Operadores de som e Luz: António Henrique, Mário Rui e Miguel Borges, Cartaz e Programa de Vitor Mio

Café Teatro com texto original de Rui Pinto cujo título completo é: TRAFARIA, CANTOS E DESENCANTOS
AVARIAÇÕES EM RÉ E PROA COM SOLOS DE TENTILHÃO

No reino da passarada
cada um pia o que pia
por isso na chilreada
há uma perfeita harmonia
Juntámos o nosso bando
fizemos dele a negaça
para sem gritos nem mando
atrair a populaça
O comedouro asseado
sementes sãs água pura
o chamaris afinado
temos caçada segura
Gaiola será o espaço
para teatro montar
sem desânimo ou cansaço
todos podermos voar
E se o teatro é a vida
demos vida à nossa gente
se a meta for atingida
o GITT fica contente
Rui Pinto

 

 

de TCHEKHOV
Encenação de Rui Pinto
Espaço cénico de Carlos Marques e Vitor Azevedo
3 peças em 1 acto: O URSO, UM PEDIDO DE CASAMENTO e O CANTO DO CISNE

Intérpretes: O URSO; Fátima Martins, Marques Lourençoe Miguel Garcia, UM PEDIDO DE
CASAMENTO; Vitor Azevedo, Carlos Marques e Mila Bernardes, O CANTO DO CISNE; Rui Pinto

Operador de som e luz: António Henrique e Mário Rui, Guarda-roupa: Comp. Teatro de Almada e Teatro da Malaposta, Adereços:Móveis Simões.

O ano de 1990 foi designado pelo mundo teatral “ANO TCHEKHOV”.
Muitos países têm tido em cena ao longo deste ano as obras deste grande dramaturgo. Portugal também aqui e ali o tem feito. O GITT que durante a sua existência já montou dois espectáculos de Tchekhov, também se associa às comemorações e apresenta o seu 14º espectáculo dedicado a este extraordinário homem da literatura Russa. Ao incluirmos neste novo trabalho “O canto do cisne” tivemos propósito de alterar substancialmente a leitura deste espectáculo em relação aquele com que o nosso grupo se estreou. Se no primeiro espectáculos peças não tinham qualquer ligação entre si,neste, essa ligação existe a partir de uma nova dramaturgia enquadrada num espaço cénico onde “coabitam” o autor, os actores, as personagens, enfim todos aqueles que fazem desses lugares mágicos que são o palco e os bastíadores o nosso “TCHEKHOV E O LIMÃO ESPREMIDO”.

…O GITT é dos raros grupos, se não o único no concelho de Almada, que se tem mantido em atuação constante desde a sua fundação.     … Ao agradável espectáculo que é, esta trilogia de obra recordando e homenageando Tchechov, foram muitas as pessoas que assistiram, vindas de fora da Trafaria inclusive Maria Emília Neto de Sousa, Presidenta da Câmara Municipal de Almada e o Vereador do pelouro da cultura. 16/11/1990 – JORNAL DE ALMADA – MANUEL LOURENCO SOARES

Realizaram-se 10 espectáculos, 8 no R.D.Trafaria, 2 no Teatro Municipal de Almada. Total de espectadores: 541

Colagem de 3 peças e um Manifesto

Encenação e Dramaturgia de Vitor Azevedo
Cenografia de Vitor Mio

Intérpretes: Vitor Azevedo, Manuel Pereira, Òscar Alves, Carlos Marques, Mila Bernardes, Maria João Silva, Pedro Meireles, Vitor Mio, Fátima Martins

Textos de:Karl Valentin (Pai e filho falam da guerra), Brecht (O espião), Harold Pinter (Uma para o caminho), Almada Negreiros (Manifesto futurista).

Operadores de som e luz: Nuno Horta, Rui Miguel, António Henrique – Montagem deJoaquim Correia – Guarda roupa: Comp. Teatro de Almada –  dereços: Sultubos – Banda Sonora:Miles Davis, Philip Glass e Roger Hudgson                                                                                                                                               Agradecimentos: Vasco Eloy e Mestre Verdades.

…Deve dizer-se que se trata de um notável trabalho de dramaturgia.                                                                                                                                  …TODOS SOMOS SUSPEITOS, do GITT, uma prova de que o teatro de amadores não só não acabou como está apto e interessado em ser outra vez a voz incómoda que já foi. 01/03/1993 – J.L. – CARLOS PORTO

TODOS SOMOS SUSPEITOS arroga-se o direito de ser um espectáculo “fora de moda”, um espectáculo que quase nos obriga à sensação de estarmos após Abril de 1974. …Logo um espectáculo com alvos bem concretos… Há que somar um inteligente uso dos tempos, por parte de Vitor Azevedo, coisa nem sempre comum entre amadores. 09/03/1993

…A última aventura do GITT, que, na década de 70,conheceu dias de glória. Os dias em que o teatro amador supria a falta do teatro independente… Mas o GITT não morreu e este seu último espectáculo (Todos Somos Suspeitos) é de uma grande lucidez e vitalidade. As três peças em um acto dão matéria para uma reflexão muito a propósito… Teatro para ver e pensar. 02/04/1993 – O PÚBLICO – MANUEL JOÃO GOMES

Realizaram-se 8 espectáculos: 5 no R.D.Trafaria (casino), 2 no Teatro M. Almada, 1 no Teatro Maria Matos.                                                                 Total de espectadores: 701
Participação no Festival Teatro do Inatel/C. M. de Lisboa obtendo o 1º.prémio da Melhor Realização Plástica

Cartazes

Joaquim benite (1943-2012)

Vinte e cinco anos um quarto de século. Para um grupo de teatro amador chegar, vivo e activo, à comemoração de uma tal efeméride – quantos sacrifícios, quantas angústias, quanto esforço. Mas, também, quantas alegrias! O G.I.T.T. – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria foi um grupo que fez história. Um colectivo de amadores – no sentido mais nobre da palavra – que marcou, de modo decisivo, a história cultural do Concelho de Almada, pioneiro que foi de uma renovação estética e de uma atitude cultural que fizeram escola. Na luta contra o marasmo e a mediocridade, o G.I.T.T. foi o centro de um actividade artística que teve influência a nível nacional e contribuiu ao lado de outros grupos, para alterações de qualidade que neste quarto de século fundaram outro teatro em Portugal. Não esqueço, também, que foi o G.I.T.T. que, primeiro, organizou um Festival de Teatro no Concelho de Almada. Neste plano sinto-me como alguém que herdou um testemunho e fez – e faz – o possível por honrá-lo. Longa vida, companheiros do G.I.T.T. Joaquim Benite

Carlos porto (1930-2008)

Muito lhes devo, eu mesmo, espectador e por isso amador (amante!), eu mesmo percorrendo, quantas vezes os seus caminhos, descobrindo, aqui e ali, perto e longe, o lugar da surpresa, a passagem da luz, o desencadear da emoção. Poderia falar de muitos grupos, de inúmeros espectáculos, de incontáveis artesãos, de trabalhadores sensíveis, de artistas: nuns e noutros, em muitos deles, descobri, descobrindo-me, esse outro teatro que foi muitas vezes, e continua a ser, um teatro outro. Entre esses grupos, esses espectáculos, esses artistas, abro espaço para o GITT- – Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, vinte e cinco anos de amor pelo teatro, ou seja, de criação teatral, vinte e cinco anos de aventura exemplar ao serviço do teatro, isto é, ao serviço de todos.